Golpes Contra Lojistas: Pix Falso, Comprovante Adulterado e Chargeback

Golpes Contra Lojistas: Pix Falso, Comprovante Adulterado e Chargeback

Wendel Ferreira|

Os golpes contra lojistas mais comuns são o Pix falso (agendado, simulado ou "pago por engano"), o comprovante adulterado e o chargeback indevido no cartão. A proteção é a mesma para os três: só entregue a mercadoria depois de ver o dinheiro no extrato do banco ou do intermediador, guarde provas de cada venda e use as ferramentas oficiais de devolução e contestação.

Golpe contra lojista não escolhe tamanho de loja. Ele mira justamente quem vende sozinho, no balcão ou pelo WhatsApp, com pressa e sem ninguém para conferir o pagamento.

Pontos-chave

  • O Brasil registrou 2.261.055 estelionatos em 2025, ou 258 por hora, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
  • O varejo sofreu 195.217 tentativas de fraude de janeiro a setembro de 2025, uma a cada 2 minutos, segundo a Serasa Experian.
  • A Febraban alerta que aplicativos criminosos forjam comprovantes de Pix com dados que parecem legítimos; o print não prova que o dinheiro caiu.
  • Desde 1º de setembro de 2026, o lojista que teve dinheiro devolvido indevidamente pelo MED tem 80 dias, e não mais 30, para contestar.
  • A fraude eletrônica, prevista no art. 171, § 2º-A, do Código Penal, tem pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa.
  • Na Visa, o adquirente tem 30 dias corridos para responder a uma disputa de consumidor ou de erro de processamento, e a defesa depende das provas que o lojista guardou.

O que são os golpes contra lojistas?

Golpe contra lojista é qualquer fraude em que o criminoso se passa por cliente, fornecedor ou banco para levar mercadoria ou dinheiro da loja sem pagar. No Código Penal, esse crime é o estelionato (art. 171), que inclui desde 2021 a modalidade de fraude eletrônica, praticada por redes sociais, telefone, e-mail ou meio análogo.

Para o pequeno lojista, três golpes respondem pela maior parte do prejuízo: o Pix falso, o comprovante adulterado e o chargeback indevido. Os três exploram o mesmo ponto fraco: a loja entrega o produto antes de confirmar que o dinheiro está, de fato, na conta.

O que é o golpe do Pix falso?

O golpe do Pix falso é a venda em que o cliente mostra um pagamento que não se concretizou ou que pode ser desfeito depois. A versão mais conhecida é o Pix agendado: o comprovante mostra "Agendamento realizado", e não "Transferência realizada", e o criminoso cancela o agendamento antes da data. Segundo reportagem do Tecnoblog, um supermercado perdeu R$ 80 mil em seis meses com esse golpe antes de perceber.

Outra variação é o "Pix por engano". O criminoso faz um pagamento real, diz que errou e pede a devolução por um novo Pix, para outra chave. Depois, aciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e contesta a primeira transação como fraude, segundo o Jornal Opção. Resultado: a loja devolve duas vezes.

O que é o comprovante adulterado?

Comprovante adulterado é a imagem de um comprovante de Pix ou de transferência que foi editada ou gerada por aplicativo falso, com nome do banco, valor, chave e recebedor que parecem verdadeiros. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que existem aplicativos criminosos feitos só para forjar esses recibos. Quando o lojista confere a conta, o dinheiro nunca chegou.

O que é chargeback?

Chargeback é o estorno de uma compra feita no cartão, pedido pelo titular ao banco emissor. Segundo a Cielo, o banco avalia a contestação, leva à bandeira, que notifica a adquirente, e a adquirente avisa o lojista. O chargeback é legítimo quando o cartão foi usado sem autorização. Vira golpe quando o próprio comprador recebe o produto e contesta a compra mesmo assim, ou quando o criminoso compra com cartão clonado e a loja fica com a conta.

Por que os golpes contra lojistas cresceram tanto?

Os golpes cresceram porque o pagamento ficou instantâneo e a venda migrou para o celular, mas a conferência continuou manual. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 2.261.055 casos de estelionato em 2025, alta de 2,7% sobre 2024 e de 429,8% desde 2018, início da série histórica. São mais de 6 mil golpes por dia.

A investigação não acompanha esse volume. Segundo o mesmo levantamento, divulgado pelo BNews São Paulo, foram 63.771 procedimentos criminais e 4.819 prisões por estelionato no período, uma parcela pequena dos boletins registrados.

No Pix, o Banco Central registrou mais de 390 mil notificações de fraude por mês em 2024, contra 30.892 por mês em 2021, segundo dados divulgados pelo Estadão Conteúdo. A taxa continua baixa, de 0,007% das operações por mês desde abril de 2023, porque o volume do Pix é gigantesco: foram 5,682 bilhões de operações só em janeiro de 2025.

Indicador Número Período Fonte
Casos de estelionato no Brasil 2.261.055 2025 FBSP, 20º Anuário
Estelionatos por hora 258 2025 FBSP, 20º Anuário
Taxa de estelionato 1.059,43 por 100 mil habitantes 2025 FBSP, 20º Anuário
Crescimento do estelionato 429,8% 2018 a 2025 FBSP, 20º Anuário
Pessoas que caíram em golpe online 15,8% da população de 16 anos ou mais (26,3 milhões) 12 meses até março de 2026 FBSP, pesquisa de vitimização
Notificações de fraude no Pix mais de 390 mil por mês 2024 Banco Central
Tentativas de fraude no varejo 195.217 janeiro a setembro de 2025 Serasa Experian

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2026), Banco Central via Estadão Conteúdo (2025) e Serasa Experian (2026).

O varejo é alvo direto. Segundo Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, "a confiança deixa de ser um diferencial competitivo e se torna infraestrutura".

O que a lei e as regras do Pix e do cartão dizem?

A lei trata o golpe contra lojista como estelionato, e a forma digital tem pena maior. A Lei 14.155, de 27 de maio de 2021, incluiu no art. 171 do Código Penal o § 2º-A, que diz: "A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento". Se o criminoso usa servidor fora do Brasil, a pena aumenta de 1/3 a 2/3.

No Pix, a regra de proteção é o Mecanismo Especial de Devolução. O MED é o procedimento do Banco Central que bloqueia e devolve valores de Pix em casos de fraude, golpe ou coerção. Desde 1º de outubro de 2025, a contestação é feita por autoatendimento, num botão dentro do app do banco. Segundo Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, "depois do bloqueio, ambos os bancos têm até sete dias para analisar a contestação".

O MED tem limites claros. Segundo o Banco Central, o mecanismo não vale para "desacordos comerciais, arrependimento e erros no envio do Pix (como digitação errada de chave) ou que envolvam terceiros de boa-fé". Desde fevereiro de 2026, o MED 2.0 rastreia o dinheiro que passou por mais de uma conta e permite bloquear valores em qualquer etapa da cadeia de transferências, segundo o Money Times.

Regra O que estabelece Prazo ou pena Quem define
Código Penal, art. 171, § 2º-A Fraude eletrônica por redes sociais, telefone ou e-mail Reclusão de 4 a 8 anos e multa Lei 14.155/2021
Código Penal, art. 171, § 2º-B Aumento se o golpe usa servidor fora do país Pena aumentada de 1/3 a 2/3 Lei 14.155/2021
MED, autoatendimento Contestação de Pix por golpe dentro do app do banco Análise em até 7 dias; devolução em até 11 dias Banco Central, desde 1º/10/2025
MED, contestação pelo recebedor Lojista contesta valor devolvido indevidamente 80 dias a partir da devolução Banco Central, desde 1º/09/2026
MED 2.0 Rastreio e bloqueio em várias contas da cadeia Em vigor desde 02/02/2026 Banco Central
Visa, disputas categorias 12 e 13 Resposta do adquirente a erro de processamento ou disputa de consumidor 30 dias corridos Visa do Brasil

Fonte: Lei 14.155/2021, Banco Central (via Diário do Comércio, Jornal Opção e Money Times) e Visa do Brasil (2022).

A mudança de 2026 protege diretamente o lojista. O Jornal Opção informa que "comerciantes, prestadores de serviços e pequenos empresários que tiveram valores devolvidos indevidamente pelo sistema de segurança do Pix" agora têm 80 dias para contestar, contados da data em que o dinheiro foi devolvido.

No cartão, quem define as regras de disputa é a bandeira. A Visa divide as disputas em quatro categorias: fraude, autorização, erros de processamento e disputas dos consumidores. Nas duas últimas, o adquirente tem 30 dias corridos para responder. Esse prazo é do adquirente, então o lojista precisa mandar as provas antes. As regras do Código de Defesa do Consumidor sobre arrependimento e devolução também pesam nessas disputas, e estão resumidas no guia de direitos do consumidor no e-commerce.

Como identificar um golpe na hora da venda?

O golpe quase sempre chega com os mesmos sinais: pressa, pagamento fora do comum e prova que não vem do seu banco. Daniel Barbosa, especialista em segurança da ESET, resume a regra ao Tecnoblog: "Desconfiar de abordagens que exijam muita urgência".

  • O cliente manda print do comprovante e insiste para você liberar a mercadoria antes de o dinheiro aparecer no app do banco.
  • O comprovante traz "Agendamento realizado" ou uma data futura, e não "Transferência realizada" com a data de hoje.
  • O cliente diz que pagou a mais "por engano" e pede a devolução da diferença para outra chave Pix, diferente da conta que pagou.
  • Um "fornecedor" avisa que mudou de banco e pede pagamento para uma chave nova, de conta com nome parecido, mas não igual, ao da empresa.
  • Alguém se apresenta como funcionário do banco ou da maquininha e pede senha, código ou dados da conta por telefone ou mensagem.
  • Uma compra online grande chega de cliente novo, com endereço de entrega diferente do endereço do titular do cartão e pedido de envio urgente.
  • O comprador recebe o produto e, semanas depois, você recebe aviso de chargeback por "compra não reconhecida".

O falso funcionário de banco também mira lojistas. Segundo Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban, "os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras". Se pediram senha ou código, desligue e ligue você mesmo para o número oficial do banco.

Como conferir um pagamento antes de entregar a mercadoria?

Conferir um pagamento é olhar a entrada do dinheiro no app do seu banco ou no painel do seu intermediador, nunca na tela do cliente. A Febraban orienta que o recebedor verifique se o valor caiu antes de entregar o produto.

  1. Abra o app do seu banco ou do intermediador. Confira o extrato ou a notificação de Pix recebido, com valor, nome do pagador e horário. Print, foto de tela e comprovante em PDF enviados pelo cliente não contam como prova.
  2. Confira o status da transação. Pix concluído aparece como recebido no seu extrato na hora. Se o cliente mostra "Agendamento realizado" ou data futura, a venda ainda não está paga, porque, segundo a Febraban, o golpista "cancela o agendamento realizado".
  3. Use QR Code com valor fixo. Gere a cobrança com o valor exato da venda, pela maquininha, pelo app do banco ou pelo checkout da sua loja. Assim você evita "erro de digitação" no valor e confere tudo com um olhar.
  4. Devolva Pix só pela função de devolução. Se alguém pagar a mais ou "por engano", use, no app do banco, a ferramenta de devolução vinculada à própria transação. Nunca faça um Pix novo para outra chave, porque é assim que o golpe do "Pix por engano" funciona.
  5. Registre cada venda com forma de pagamento. Anote produto, valor, data, cliente e meio de pagamento num sistema ou caderno. Esse registro é a base da sua defesa num chargeback e da contestação no MED.
  6. Guarde prova de entrega e conversa. Em venda online, guarde código de rastreio, comprovante de entrega e o histórico da conversa no WhatsApp. A Cielo lista esses documentos entre os que sustentam a defesa de um chargeback.
  7. Feche o caixa conferindo o extrato. No fim do dia, bata o total de vendas registradas com o extrato do banco e do intermediador. Diferença no mesmo dia se resolve; diferença descoberta seis meses depois vira prejuízo.

Quem já recebe por Pix com frequência pode aprofundar a configuração no guia de Pix para lojistas, que explica chaves, QR Code e boas práticas de recebimento.

Como se proteger do chargeback em vendas com cartão?

A proteção contra chargeback é ter a compra autenticada e a venda documentada. Segundo o PagBank, o 3D Secure é o protocolo que autentica o titular do cartão em compras online, e "se a transação for autenticada, a responsabilidade pelo chargeback de fraude passa do lojista para o banco".

Cada forma de receber oferece um nível diferente de segurança. Para conhecer as opções de recebimento em detalhe, veja o guia de meios de pagamento para loja virtual.

Forma de confirmação O que confirma Risco principal Recomendação
Print ou comprovante enviado pelo cliente Nada: é só uma imagem Comprovante adulterado ou Pix agendado Nunca usar como prova de pagamento
Extrato ou notificação no app do seu banco Dinheiro recebido de fato Golpe do "Pix por engano" depois da venda Conferir sempre e devolver só pela função vinculada
Checkout com intermediador de pagamento Pagamento registrado no painel do intermediador Baixo, se a conferência for no painel Conferir o status do pedido no painel antes de enviar
Cartão online sem 3D Secure Autorização da compra Chargeback de fraude fica com o lojista Ativar autenticação e guardar provas de entrega
Cartão online com 3D Secure Autorização e autenticação do titular Disputa comercial por produto ou entrega Manter nota, rastreio e conversa arquivados

Fonte: elaboração própria com base em Febraban, PagBank (2024), Cielo (2026) e Jornal Opção (2026).

Quando o aviso de chargeback chegar, responda no mesmo dia: segundo a Cielo, o prazo de defesa "varia conforme as regras de cada bandeira".

Quais erros deixam a loja exposta a golpes?

Os erros que mais expõem a loja são os atalhos de conferência feitos na correria. Cada um deles abre a porta para um golpe específico.

  • Aceitar print como pagamento: a loja entrega a mercadoria e descobre, no fechamento, que o dinheiro nunca entrou.
  • Devolver Pix com transferência nova: a loja devolve para outra chave e, depois, perde o valor original pelo MED, pagando duas vezes.
  • Não registrar as vendas: sem histórico de produto, valor e cliente, a loja não tem como contestar um chargeback nem uma devolução indevida.
  • Atender "banco" ou "fornecedor" pelo número que ligou: o criminoso obtém senha, código ou um pagamento para chave falsa.
  • Vender online no cartão sem autenticação: o chargeback de fraude recai sobre o lojista, que perde o produto e o valor.
  • Deixar o caixa sem conferência diária: golpes repetidos passam meses sem ser notados, como no caso do supermercado que perdeu R$ 80 mil.
  • Ignorar avisos de disputa: o prazo de resposta da bandeira corre, e a loja perde a disputa por falta de defesa.

O que fazer se a loja já caiu em um golpe?

Se a loja caiu em um golpe com Pix, o primeiro passo é acionar o banco pelo botão de contestação do MED no app, o mais rápido possível. Quanto antes o pedido entra, maior a chance de ainda haver saldo para bloquear na conta do golpista. Se o MED devolveu indevidamente um valor que você recebeu numa venda real, conteste em até 80 dias da devolução, com nota, conversa e prova de entrega.

Registre também um boletim de ocorrência. O boletim documenta o crime e reforça a sua versão nas contestações. No caso de chargeback, envie o dossiê completo à adquirente dentro do prazo indicado por ela.

Como o Stoqui ajuda a reduzir o risco de golpe na loja?

O Stoqui ajuda o lojista a trocar o print pelo registro: cada venda fica salva com itens, valores e forma de pagamento, e o recebimento online passa por intermediadores oficiais. No checkout da loja virtual, o cliente paga com Pix, cartão em até 12 vezes ou boleto, e os pagamentos funcionam via Mercado Pago, Asaas e Pagaleve, segundo o Stoqui. O lojista confere o pagamento no painel do intermediador, e não numa imagem enviada pelo cliente.

No balcão, o PDV do Stoqui registra dinheiro com troco, Pix, cartão, fiado e parcelado. O lojista escolhe a forma e "o Stoqui já registra como a venda foi paga". O recibo sai com loja, itens, quantidades, preços, total e forma de pagamento, por impressora térmica, PDF ou WhatsApp, e o estoque baixa na mesma hora.

Os relatórios de vendas e faturamento por dia, semana ou mês ajudam a bater o caixa com o extrato. Mais de 40 mil lojistas usam o Stoqui, segundo a empresa.


Perguntas frequentes sobre golpes contra lojistas

Comprovante de Pix enviado pelo cliente vale como prova de pagamento?

Não. O comprovante enviado pelo cliente é só uma imagem e pode ter sido editado ou gerado por aplicativo falso, alerta a Febraban. A única prova de pagamento é o valor recebido no extrato ou na notificação do app do seu banco ou no painel do seu intermediador de pagamento.

Como saber se um Pix é agendado?

O comprovante de Pix agendado traz a expressão "Agendamento realizado" e uma data futura, em vez de "Transferência realizada" com a data de hoje. Na dúvida, abra o app do seu banco: se o valor não aparece como recebido no extrato, o Pix ainda não foi pago e pode ser cancelado pelo cliente.

O Pix pode ser cancelado depois de cair na conta?

Não pelo pagador. Segundo Carolina Sansão, gerente de Inovação e Tecnologia da Febraban, "as transações Pix são irreversíveis após a sua efetivação". A exceção é o MED, que bloqueia e devolve valores em casos de fraude, golpe ou coerção comprovados pelos bancos, e não em desacordo comercial.

O que é o golpe do Pix por engano?

O golpe do Pix por engano é quando o criminoso paga, diz que errou e pede devolução por um novo Pix para outra chave. Depois, contesta o pagamento original no MED. A loja se protege devolvendo apenas pela função de devolução vinculada à transação, dentro do app do banco.

O que é o MED do Pix?

O MED, Mecanismo Especial de Devolução, é o procedimento do Banco Central que permite bloquear e devolver valores de Pix em casos de fraude, golpe ou coerção. Desde outubro de 2025, a vítima contesta por um botão no app do banco, e a devolução ocorre em até 11 dias.

O MED pode tirar dinheiro da conta do lojista?

Sim, se o banco bloquear valores recebidos numa transação contestada como golpe. Quando a devolução for indevida, o lojista pode contestar: desde 1º de setembro de 2026, o prazo é de 80 dias contados da devolução, segundo o Jornal Opção. Guarde nota, conversa e prova de entrega.

O MED serve para cliente que se arrependeu da compra?

Não. Segundo o Banco Central, o MED não se aplica a desacordos comerciais, arrependimento, erros no envio do Pix, como chave digitada errada, ou casos que envolvam terceiros de boa-fé. Arrependimento de compra segue as regras do Código de Defesa do Consumidor e a política de trocas da loja.

O que é o MED 2.0?

O MED 2.0 é a versão do Mecanismo Especial de Devolução em vigor desde 2 de fevereiro de 2026. Segundo o Money Times, ele rastreia o Pix que passou por mais de uma conta e permite bloquear valores em qualquer etapa da cadeia de transferências feita pelo golpista.

Qual é a pena para quem aplica golpe em lojista?

O golpe é estelionato, art. 171 do Código Penal. Quando feito por redes sociais, telefone, e-mail ou meio análogo, é fraude eletrônica, com pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa, segundo a Lei 14.155/2021. A pena aumenta de 1/3 a 2/3 se usado servidor fora do Brasil.

Vale a pena registrar boletim de ocorrência por golpe pequeno?

Sim. O boletim de ocorrência documenta o crime, apoia contestações no banco e na adquirente e entra nas estatísticas oficiais. Em 2025, o Brasil registrou 2.261.055 estelionatos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública; casos não registrados não aparecem nesses números nem nas políticas de prevenção.

O que é chargeback?

Chargeback é o estorno de uma compra no cartão pedido pelo titular ao banco emissor. Segundo a Cielo, o banco avalia, leva à bandeira, que notifica a adquirente, e a adquirente avisa o lojista. Se o lojista não se defender com provas, o valor da venda é retirado dele.

Quanto tempo o lojista tem para responder um chargeback?

O prazo depende da bandeira e da adquirente. Na Visa, o adquirente tem 30 dias corridos para responder disputas de erro de processamento e de consumidor. Como esse prazo é do adquirente, o lojista precisa enviar as provas antes, assim que receber o aviso pela maquininha ou pelo portal.

Quais documentos ajudam a ganhar um chargeback?

Os documentos que mais ajudam são o comprovante da transação, a nota fiscal ou o registro da venda, o comprovante de entrega com rastreio e o histórico de conversa com o cliente, segundo a Cielo. Quanto mais completo e organizado o registro de cada venda, mais forte fica a defesa.

O que é 3D Secure e por que ativar?

O 3D Secure é o protocolo que autentica o titular do cartão em compras online, com confirmação no app do banco ou por código. Segundo o PagBank, quando a transação é autenticada, a responsabilidade pelo chargeback de fraude passa do lojista para o banco emissor.

Quais são as categorias de disputa no cartão?

A Visa divide as disputas em quatro categorias: fraude, autorização, erros de processamento e disputas dos consumidores. Saber a categoria ajuda o lojista a montar a defesa certa: em fraude, provar a autenticação; em disputa de consumidor, provar entrega e condições da venda.

Como funciona o golpe do falso fornecedor?

No golpe do falso fornecedor, o criminoso avisa que o fornecedor mudou de banco e pede pagamento para uma chave nova, de conta com nome parecido. Segundo o Tecnoblog, os prejuízos vão de R$ 10 a R$ 10.000. Confirme sempre nome, CNPJ e banco pelo contato que você já tem.

Banco pode pedir senha ou código por telefone?

Não. Segundo Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban, os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras. Se alguém pedir senha, código ou dados por telefone ou mensagem, desligue e ligue para o número oficial do banco.

Como proteger o WhatsApp da loja contra clonagem?

Ative a verificação em duas etapas nas configurações do WhatsApp, como orienta a Febraban, e nunca repasse códigos recebidos por SMS. Com o número clonado, o criminoso pode pedir dinheiro a clientes e fornecedores em nome da loja, por isso avise seus contatos se notar algo estranho.

Golpes contra lojistas são comuns no varejo?

Sim. A Serasa Experian registrou 195.217 tentativas de fraude contra o varejo de janeiro a setembro de 2025, uma a cada 2 minutos. No Pix, o Banco Central contou mais de 390 mil notificações de fraude por mês em 2024, segundo o Estadão Conteúdo.

Pequeno lojista corre mais risco que grande varejista?

Sim, porque costuma vender sozinho, com pressa e sem uma segunda pessoa para conferir pagamentos. Golpes como o Pix agendado e o falso fornecedor exploram justamente essa falta de rotina. Conferir o extrato antes de entregar e registrar cada venda reduz o risco sem custo extra.

Conclusão

O Brasil registra 258 estelionatos por hora, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e o lojista que entrega mercadoria olhando um print está no caminho de vários deles. A defesa contra Pix falso, comprovante adulterado e chargeback é a mesma: confirmar o dinheiro no seu extrato, devolver só pela função oficial, ativar autenticação no cartão e registrar cada venda com provas. As regras ajudam, como o MED com 80 dias de contestação e a pena de 4 a 8 anos para fraude eletrônica, mas a rotina de conferência é o que evita o prejuízo.

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Referências

BRASIL. Lei nº 14.155, de 27 de maio de 2021. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tornar mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou pela internet. Brasília: Presidência da República, 2021. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14155.htm. Acesso em: 6 out. 2026.

BRASIL 61. Anuário de Segurança Pública: Brasil registrou mais de 2,2 milhões de casos de estelionato em 2025. Brasil 61, 28 jul. 2026. Disponível em: https://brasil61.com/n/anuario-de-seguranca-publica-brasil-registrou-mais-de-2-2-milhoes-de-casos-de-estelionato-em-2025-bras2616801. Acesso em: 6 out. 2026.

CIELO. O que é chargeback. Blog Cielo, 2026. Disponível em: https://blog.cielo.com.br/financas/o-que-e-chargeback/. Acesso em: 6 out. 2026.

DE BLASI, Bruno Gall. Cuidado com o Pix falso: golpistas agendam transferência e cancelam depois. Tecnoblog. Disponível em: https://tecnoblog.net/especiais/cuidado-com-o-pix-falso-golpistas-agendam-transferencia-e-cancelam-depois/. Acesso em: 6 out. 2026.

DIÁRIO DO COMÉRCIO. Pix tem botão de contestação a partir desta quarta-feira (1º). Diário do Comércio, 30 set. 2025. Disponível em: https://diariodocomercio.com.br/financas/pix-tem-botao-contestacao-partir-desta-quarta-feira-1/. Acesso em: 6 out. 2026.

ESTADÃO CONTEÚDO. Em disparada, fraudes no Pix crescem acima de 390 mil por mês em 2024. InfoMoney, 12 abr. 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/?p=2830067. Acesso em: 6 out. 2026.

GONTIJO, Cilas. Prazo para contestar devolução de Pix em caso de golpe sobe de 30 para 80 dias. Jornal Opção, 1 set. 2026. Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/prazo-para-contestar-devolucao-de-pix-em-caso-de-golpe-sobe-de-30-para-80-dias-864051/. Acesso em: 6 out. 2026.

KNOTH, Pedro. Novo golpe via Pix mira micro e pequenos empreendedores. Tecnoblog, 2021. Disponível em: https://tecnoblog.net/527584/novo-golpe-do-pix-mira-micro-e-pequenos-empreendedores/. Acesso em: 6 out. 2026.

MONITOR MERCANTIL. Bandidos usam aplicativos criminosos para forjar recibos de Pix. Monitor Mercantil, mar. 2023. Disponível em: https://monitormercantil.com.br/bandidos-usam-aplicativos-criminosos-para-forjar-recibos-de-pix/. Acesso em: 6 out. 2026.

PAGBANK. PagBank e 3D Secure. Blog PagBank, 2024. Disponível em: https://blog.pagbank.com.br/pagbank-e-3d-secure. Acesso em: 6 out. 2026.

PRETO, Otávio. Pix agora é rastreado: nova ferramenta obrigatória passa a valer hoje e segue o caminho do dinheiro. Money Times, 2 fev. 2026. Disponível em: https://www.moneytimes.com.br/pix-agora-e-rastreado-nova-ferramenta-obrigatoria-passa-a-valer-hoje-e-segue-o-caminho-do-dinheiro-otrp/. Acesso em: 6 out. 2026.

SERASA EXPERIAN. Varejo sofreu uma tentativa de fraude a cada 2 minutos em 2025, aponta Serasa Experian. Serasa Experian, 22 jan. 2026. Disponível em: https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/prevencao-a-fraude/varejo-sofreu-uma-tentativa-de-fraude-a-cada-2-minutos-em-2025-com-alta-de-41-aponta-serasa-experian/. Acesso em: 6 out. 2026.

SOUZA, Andrezza. Estelionato bate recorde e Brasil registra 258 golpes por hora, aponta anuário. BNews São Paulo, 24 jul. 2026. Disponível em: https://www.bnewssaopaulo.com.br/noticias/policia/estelionato-bate-recorde-e-brasil-registra-258-golpes-por-hora-aponta-anuario.html. Acesso em: 6 out. 2026.

STOQUI. Venda presencial com PDV. Stoqui, 2026. Disponível em: https://www.stoqui.com.br/recursos/venda-presencial-pdv. Acesso em: 6 out. 2026.

STOQUI. Catálogo online grátis para vender no WhatsApp. Stoqui, 2026. Disponível em: https://www.stoqui.com.br/catalogo-digital. Acesso em: 6 out. 2026.

VISA DO BRASIL. Mudanças nas regras de disputa. São Paulo: Visa, 2022. Disponível em: https://www.visa.com.br/content/dam/VCOM/regional/lac/brazil/parceiros-visa/documentos/mudancas-nas-regras-de-disputa.pdf. Acesso em: 6 out. 2026.

Este guia foi produzido pela equipe do Stoqui, que atende mais de 40 mil lojistas no Brasil. Os dados vêm de fontes públicas listadas nas referências, consultadas em outubro de 2026. Os números do Stoqui são declarações da empresa. Preços, regras e funcionalidades podem ter sido atualizados desde a publicação.

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Descubra como usar o Pix para lojistas e vender mais na sua loja virtual. Veja taxas, Pix parcelado, Pix automático, comparação com cartão e estratégias para aumentar suas vendas.

Leonardo Haddad
Melhor Maquininha de Cartão para MEI em 2026: Comparativo de Taxas

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Wendel Ferreira
Meios de pagamento brasileiros como maquininha de cartão, Pix QR code e boleto bancário

Meios de Pagamento para Loja Virtual: Guia Completo

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